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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A função civilizacional dos preconceitos



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Os homens vivem numa certa ignorância natural : não podem por si , enquanto indivíduos , abarcar tudo o que a civilização precisa saber para existir.Deste modo os preconceitos que nada  mais são que os conceitos herdados da tradição consolidada , operam como meios poderosos de socialização e racionalização do homem médio: por meio deles os homens entram em contato com as idéias que sustentam uma comunidade humana sem a necessidade de entender perfeitamente todo seu alcance ou sentido.Os conceitos em que se sustenta uma civilização são sempre obra de uma elite que descortina e produz conhecimento.É natural que somente esta elite seja capaz de compreender o significado deles.Aqui não falamos de uma elite econômica ou política mas daquela que, podendo ser econômica ou política, exerce um papel de orientação cultural da civilização , daquela que forja a mente dos povos.

O homem pós moderno busca se livrar dos preconceitos : isso nada mais é que uma tentativa de se ver livre das tradições consolidadas abrindo espaço para a liberação total dos costumes e para a destruição da civilização.Estamos diante do homem tribal que rejeita qualquer lei ou ordem.A luta contra os preconceitos é a luta contra a necessidade de qualificar e distinguir isso daquilo e de valorar o mais excelente em relação ao menos.Evidente que nem todos os preconceitos são sadios ou verdadeiros : há civilizações e civilizações.O preconceito comum entre os índios do Brasil Colônia sobre o canibalismo – que eles encaravam como meio de obter o poder e virtude do guerreiro ou inimigo devorado – é um exemplo disso: embora mantivesse a coesão tribal mobilizando- a na luta contra o inimigo e pela sobrevivência significava um costume bárbaro que deveria ceder lugar diante de um organização civilizacional superior.Foi o que se deu quando os europeus aqui se instalaram e instituíram a religião cristã entre as populações nativas : substituíram um preconceito bárbaro por um civilizado e cristão qual seja o do respeito a vida humana como imagem de Deus.O conceito teológico de homem como imagem de Deus certamente escapava dos nativos.Mas a medida que ele se exteriorizava através da pregação dos padres e missionários e nas instituições que eram criadas pelos colonizadores , acabou virando uma espécie de forma mentis coletiva subjacente ao indivíduo.

A visão racionalista – diretamente responsável pela luta contra os preconceitos – compreende que cada indivíduo é capaz de ,por si só, fazer o exame de todas as crenças e submetê-las ao seu juízo.Isto constitui mesmo a base conceitual do iluminismo ; dizia Kant  que cada um deveria se servir  exclusivamente de sua razão – sem apelar a autoridade da religião , tradição , etc .A visão kantiana – iluminista se fundava num amplo otimismo sobre o homem , seja sobre suas capacidades racionais , seja sobre a bondade da natureza humana.Iluministas acreditam que todos os homens tem capacidades iguais e que todos nascem bons sem nenhuma desordem.

Na verdade o iluminismo é uma grande farsa.Basta analisarmos o homem em sua condição histórica.O iluminista esquece disso e olha a razão humana apenas de um ponto de vista idealista, olha para a razão apenas em seu sentido geral sem levar em conta as condições concretas que podem tolhê-la ou estimulá-la , que fazem de uns mais inteligentes que outros e portanto mais capazes de resolver problemas que outros.Embora todos os seres humanos sejam racionais em potência , quanto ao ato, essa racionalidade não existe no mesmo grau em todos os homens.Assim todos os homens tem potencial muscular mas nem todos desenvolvem a musculatura e outros a desenvolvem mas nunca no mesmo grau.Em suma, apesar de haver um certa igualdade entre os homens enquanto dotados da mesma natureza , existe uma desigualdade que é decorrente da atualização dessa mesma natureza em cada um.Cada homem individual está em um grau de saber e virtude diferente.

Onde queremos chegar ? É bem simples : para a humanidade é uma lei que muitos dependam de poucos.E esses poucos são os que possuem em maior grau o saber e a capacidade de ordenar.As civilizações não avançam sem essas minorias.Essas minorais são criadoras de leis , instituições , são as custodeadoras dos valores que impregnam a cultura de um civilização.A maioria menos capaz resta assimilar o que a minoria realizou de superior.Foi isso que durante os  séculos de formação do ocidente cristão se deu : a minoria ( o clero católico) forjou as bases de nossa cultura.A maioria ( nobres e servos ) assimilaram as verdades e preceitos transformando-os em tradição.As gerações seguintes herdaram esse legado como um patrimônio sagrado.Mas quando os iluministas pretenderam levar a discussão esse patrimônio sagrado , através da critica racional a sociedade do antigo regime e das suas bases teológicas e históricas, abriram –se os tempos revolucionários e o mundo, combalido pelo culto da razão humana apartada da história,  entrou num torvelinho de revoluções sem fim que ameaçam destruir todos os elementos civilizacionais.

Entendamos : a luta contra os preconceitos é a luta da razão abstrata e igualitária contra a razão histórico-tradicionalista que nos ensina que, em face da desordem que acomete a natureza humana,  não podemos confiar no pensamento individualista que se põe a julgar o passado em nome do presente , do futuro ou do progresso da humanidade visto como liberação do passado.O passado constitui uma lição para as gerações futuras não podendo ser ignorado.Ignorar o passado e querer se ver livre dos preconceitos é apostar no escuro.Pretender refundar a civilização humana na ausência de critérios – que é em suma a luta da atual idéia de combate aos preconceitos – é construir em cima de nuvens e de vento, ou seja , caminhar para o mais absoluto niilismo.Como as sociedades humanas precisam de um poder que as organize o que restará é apenas a lei do mais forte : sem os preconceitos a moderar as ações do poder político pelo respeito sagrado a sabedoria do passado , restará apenas a capacidade de quem tem dinheiro e meios de formar a opinião da maioria como bem quiser , de acordo com seus interesses mais imediatos.O fim dos preconceitos abre a via para a dominação de uma nova elite , essa sim mais inescrupulosa que todas as outras que já existiram , pois sem nenhum critério moral absoluto a lhe moderar os apetites de poder.Sem preconceitos não há limites morais e sem limites morais tudo é permitido.

Como bem diz Blaise Pascal em sua obra "Pensamentos", no nº 331, os princípios da vida política foram criados para moderar a depravação e loucura dos homens : " Platão e Aristóteles escreveram sobre política para pôr ordem em um hospício..sabiam que os loucos a quem falavam julgavam-se reis e imperadores , entravam nos princípios para moderar sua loucura na medida do possível".

Sobre isso cabe atentarmos para as sábias palavras de Russel Kirk sobre a função dos preconceitos na vida da civilização :

“todos possuímos preconceitos. Isso nem é de todo uma desgraça. Alguns de nossos preconceitos são tolos e, talvez, perniciosos, mas outros são, simplesmente, as regras necessárias pelas quais vivemos.

"Pré-conceito" significa pré-julgamento: ou seja, decisões a que chegamos rapidamente sem ter de pesar muito as provas. Assim, se os "pré-conceitos" que temos são sensatos ou insensatos, dependerá das fontes de nossas crenças e de nossas preferências mais arraigadas.

É claro que uma pessoa pode nutrir preconceitos tolos a respeito do tom da pele ou dos cabelos de outro ser humano ou sobre a natureza de sua religião. Mas também é verdade, como escreveu Edmund Burke (1729-1797), que por um sábio preconceito a virtude se torne hábito.

Dessa maneira, povos de inclinações saudáveis e de instrução moral decente alimentam um preconceito a respeito do assassinato. Quando ouvimos que foi cometido um homicídio, reagimos a partir de nossos pré-conceitos -- e é justo que o façamos. Não perguntamos se o homem assassinado era bom ou se o assassino tinha boas maneiras, ou (supondo que sintamos como se estivéssemos desferindo o derradeiro golpe) podemos conseguir escapar sem sermos notados. Diferente da personagem principal do romance de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), "O Idiota", não pesamos racionalmente os aspectos benéficos e nocivos de um determinado assassinato para então decidir se iremos eliminar outra vida humana.

Ao contrário, simplesmente obedecemos ao mandamento "Não matarás", caso sejamos pessoas normais. Ao tomarmos conhecimento de um assassinato, decidimos que independente das circunstâncias particulares, o assassinato é mau e que a justiça deve ser feita. Um preconceito sensato, adquirido desde cedo na vida, nos informa que o assassinato é algo proibido e que não deve ser tolerado por sentimentalismos.

Igualmente, somos capazes de manter uma decente ordem social civil porque a maioria de nós age com base em sábios preconceitos sobre roubo, crueldade e fraude. Não temos de titubear e tentar ponderar as possíveis perdas e ganhos que encerram atividades como a trapaça ou o espancamento do próximo. Se somos bons, a maioria das pessoas é boa por ter hábitos morais. Não temos de realizar uma espécie de cálculo todas as vezes em que somos compelidos a tomar uma decisão moral.

Instilamos, deliberadamente, preconceitos desejáveis desde o início da vida -- por exemplo, no ato de dar umas palmadas caso nossos meninos persistam em chutar as canelas de outros meninos. Pais prudentes, de modo acertado, criam suas crianças com preconceitos a respeito de pequenos furtos em lojas, de estilhaçar janelas e de atormentar os cães. Não ensinam aos seus rebentos a perguntar: "Será que alguém vai me assistir torturando aquele cãozinho?"ou "Não seria mais divertido que perigoso dar um jato d'água na Sally?"

Permitam-me acrescentar que pais saudáveis também tentam manter os filhos livres de falsos preconceitos. É uma questão de discriminação precoce, mas criar alguém completamente sem preconceito é educar de modo indeciso e totalmente imoral. Não é errado ser preconceituoso com trapaceiros, mentirosos, fanáticos e demagogos.”

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Por que há diferenças radicais entre a missa nova e a missa tradicional?


Começaremos uma série de estudos sobre a missa nova em contraste com a missa tradicional, sendo este o primeiro artigo de uma série.

Como a missa é um verdadeiro sacrifício em que se imola de modo incruento aquele que se ofereceu de modo cruento na cruz a Tradição da Igreja nos tornou manifesto "o sacrifício dessa oblação pura " ( ML 1, 11) por meio de um rito explicitamente sacrifical.

A missa romana assumiu a estrutura de um sacrifício : oblação da vítima ( ofertório ) , imolação ( dupla consagração) e consumação ( comunhão).Para que o homem entenda que este ritual não é mais que uma simples irradiação do único ato sacrifical de Cristo a liturgia usa . desde sempre um método pedagógico : o que ainda é pão e vinho já é considerado o corpo e o sangue imolado( No Te igitur da missa já se faz menção aos sacrificia ilibata; no temporal da missa tradicional as orationes super oblata ou secretas empregam 31 vezes o termo hóstia e 39 o termo sacrificium )

Mas no novo missal esta estrutura é quase eliminada.Os promotores da reforma litúrgica de 1969 entendiam que Cristo, ao instituir a eucaristia durante a ceia da quinta feira santa , instituiu antes uma ceia que um sacrifício, antes um banquete festivo , um memorial de sua Páscoa que uma imolação.No lugar do ofertório os redatores do novo missal julgavam que era preciso por o relato da instituição no seu devido contexto : o das bençãos judaicas da mesa. Na missa nova há, no lugar do ofertório, a apresentação das oferendas; a diferença é radical pois vejamos :

1-No missal tradicional o padre diz "Recebei , Pai santo , Deus onipotente e eterno , está hóstia imaculada , que eu , vosso indigno servo , vos ofereço a Vós , meu Deus vivo e verdadeiro , pelos meus inumeráveis pecados, ofensas e negligências , por todos os que estão aqui presentes e por todos os fiéis , vivos e defuntos , para que tanto a mim como a lês aproveite para a salvação eterna"

 
2-No missal novo diz –se : "Bendito sejais senhor Deus do Universo , pelo pão que recebemos da vossa bondade , fruto da terra e do trabalho humano , que agora vos apresentamos ; e para npós se vai tornar pão da vida"

3-No missal tradicional o caráter sacrifical da missa é bem frisado ; no missal novo não : um pastor protestante poderia tranquilamente se servir desta benção na apresentação das ofertas em um culto luterano , calvinista , batista por que ele simplesmente suprime a menção a reapresentação do sacrifício de Cristo na missa católica.A apresentação das ofertas no novo missal não deixa claro, tampouco,  que o pão se tornará corpo de Cristo pois não se refere a ele como hóstia imaculada.

A Instrução geral ao missal romano, que regula a celebração do novo missal de 69, deixa evidente que na missa nova as coisas mudaram : passou –se de um sentido direto de ofertório a uma simples apresentação e colocação dos dons sobre o altar.A instrução diz que apresenta o Canon da missa – oração eucarística – como simples oração de ação de graças e de santificação ( IGMR 54 ) a semelhança das orações de ações de graças judaicas que acompanhavam as refeições rituais .

A missa nova tem portanto mais dimensão comemorativa que sacrifical .O que indica esta mudança são as modificações feitas nas palavras da consagração :No novo missal foi introduzido na forma do sacramento as palavras "tomais e comei todos vós " , " tomai e bebei todos vós" que no missal tradicional estão separadas da palavra da consagração para não confundir o sacrifício com um banquete.Na missa nova estas palavras postas na consagração dão mais relevo ao aspecto de banquete comunitário que ao de imolação da vítima.Assim enquanto no missal tradicional as palavras consecratórias da missa deixam aparecer em primeiro lugar a transubstanciação e a dimensão sacrifical e de modo secundário o aspecto comemorativo; já as do missal novo põe ênfase primeiro no aspecto convival , comemorativo da missa invertendo a ordem litúrgica pois a missa é antes de tudo sacrifício.Nesta oferenda comemorativa onde o novo missal pretende que se estabeleça a missa , já não fica clara que o sacerdote oferta Jesus morto na cruz ; antes se coloca a ênfase no Cristo vitorioso e ressurreto. A oração eucarística III do Novo Missal exprime isso "Celebrando agora , ó Pai , a memória de vosso filho , da sua paixão que nos salva , de sua gloriosa ressurreição e da sua ascensão ao céu , e enquanto esperamos a sua nova vinda , nos vos oferecemos este sacrifício de vida e santidade.O novo missal pretende realizar um memorial de ação de graças , sendo um dos fatos aí comemorados o sacrifício.É IMPRESSIONANTE A PROXIMIDADE DO NOVO MISSAL COM A LITURGIA JUDAICA( A insistente referência a missa como memorial ou recordação deixa isso evidente ) E COM AS LITURGIAS PROTESTANTES QUE SUPRIMIRAM A REFERÊNCIA A MISSA COMO SACRIFÍCIO.

As modificações feitas no rito da comunhão confirmam esta primazia do banquete no novo missal.O gesto da fração do pão , desenvolveu-se amplamente na missa nova "por que este rito, próprio da refeição judaica , foi usado por Jesus "( CI 1329).Por isso na missa nova se introduziu a novidade do padre partir a hóstia em partes diversas e distribuir a alguns fiéis como orienta o IGMR no número 283 , para evidenciar a primazia da refeição comunitária.

Como é o aspecto comunitário que prevalece na missa nova relativiza-se a santificação pessoal que a comunhão representa.Na missa nova as palavras do missal tradicional " O corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna".Ou seja no missal novo o tom é de valorizar a comunhão eclesial , a comunhão entre os irmãos mais que a comunhão com o Senhor.O gesto da paz amplamente difundido apresenta bem esse princípio: na missa nova a meditação , o espírito de penitência, são substituídos pelo horizontalismo da relação comunitária e afetiva com o próximo – mas do que voltar o espírito para o alto a missa nova estimula a voltá-lo para baixo na medida em que insiste no aspecto de convívio fraternal diante de um banquete , de uma mesa.Daí também a mudança do altar que passa ter forma de mesa e estar não mais assentado abaixo da cruz ,que representa o Cristo sacrificado como vítima agradável a Deus por nossa salvação, mas colocado no meio do presbitério como um móvel destinado a reunir os irmãos em torno de uma refeição sob a presidência do padre.

Portanto os abusos na missa nova que vemos ocorrer diariamente pelo mundo nada mais são que a aplicação dos princípios que orientaram a formulação do novo missal , princípios que se distanciam muito da Tradição litúrgica que vê a missa sobretudo como sacrifício.

No novo missal o mistério da fé não é associado a morte de Cruz de Nosso Senhor e a reapresentação de seu sacrifício na missa mas sim a toda vida de Cristo : " Eis o mistério da fé.Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição.Vinde Senhor Jesus". A segunda exclamação a escolher separa totalmente o mistério da fé da transubstancia e da consagração relacionando-o ao rito da comunhão depois da Oração eucarística : "Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice , anunciamos Senhor a vossa morte enquanto esperamos vossa vinda".O vinho e o cálice não são referidos como copro e sangue de Cristo explicitamente: novamente temos aí uma fórmula de oração litúrgica que poderia ser usada em qualquer seita protestante dado que não se refere a transubstanciação.

Voltaremos ao assunto.

Siglas :

IGMR : Instrução Geral ao Missal Romano( 1969)

CI : Catecismo da Igreja Católica , Vozes, 1993.

Bibliografia :

Louis Boyer , Eucaristia , Herder , 1969.

Martin Patino , A. Pardo , A. Iniesta e P. Farnés.Nuevas formas de La misa.BAC , 1969.

Pierre Le Brun.Explication de La messe.Cerf , Paris 1949.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ferrara desmascara o liberalismo de Tomas Woods !!

Christopher Ferrara

Ludwig von Mises contra Jesus Cristo, o Evangelho e a Igreja: (Carta aberta a Tom Woods)

TRADUÇÃO DE GUILHERME FERREIRA DE ARAÚJO
Christopher A. Ferrara[1]

Nota do blogueiro – Caros leitores, este texto destroi toda a estatura intelectual de von Mises. Mostra que ele é, como intelectual, um charlatão. Não porque ele fale mal de Nosso Senhor Jesus Cristo (disso ele já deve ter dado conta ao Altíssimo) e dos apóstolos, mas porque demonstra, na melhor das hipóteses, desconhecer toda a história do cristianismo e de como ele criou a Civilização Ocidental. Suas afirmações no livro Socialismo são grotescas. O texto mostra também a situação lamentável em que se encontra Tom Woods, autor de um livro recentemente publicado pela Quadrante. Mostra o que o liberalismo pode fazer com um ser humano. Veja também Expondo as Perigosas Premissas dos Economistas Liberais.

Caro Tom:
Quando nós escrevemos A Grande Fachada, em 2002, eu era um dos defensores mais ardentes do seu trabalho. Na verdade, via você como um importante elemento para o futuro do movimento “tradicionalista” nos Estados Unidos. Eu não previa sua dissidência pública da doutrina social da Igreja, em benefício da “Escola austríaca” de Economia – radicalmente laissez faire –, cujas pretensões vão muito além da economia até uma abrangente “filosofia da liberdade” que não pode ser ajustada ao ensinamento do Magistério a respeito dos deveres dos homens e das sociedades com respeito a Cristo e Sua Igreja, ou até mesmo aos deveres dos homens uns com os outros no nível da justiça natural. Também não previa que se tornaria um “professor residente” do Instituto Ludwig Von Mises, um grupo libertário radical dedicado ao pensamento de von Mises e seu discípulo “anarco-capitalista”, Murray Rothbard, ambos liberais agnósticos que rejeitaram completamente o papel da Igreja e do Evangelho na constituição da ordem social.
Sua dissidência da doutrina social produziu, da parte de respeitáveis comentadores católicos, uma multidão de artigos contra você, como os que podem ser encontrados aquiaquiaquiaquiaqui e aqui, sendo o último uma série recém publicada em cinco partes na revista Chroniclessob o título “É Tomas Woods um dissidente?”. Até o momento, pelas minhas contas, não menos de doze estudiosos católicos denunciaram sua dissidência do ensinamento do Magistério com relação a princípios básicos tais como salário justo, primazia moral do trabalho sobre o capital, pecado da usura e da extorsão pelos preços, imoralidade do dito “direito absoluto” à propriedade privada e a necessidade de um governo guiado pela lei divina e natural, para o governo dos homens decaídos. ( Recentemente (Visualização)  você até começou a promover a fantasia “anarco-capitalista” da abolição de todos os governos e da criação de uma “sociedade sem estado.”)
O ponto central de A Grande Fachada era que os católicos “tradicionalistas” não dissentem da doutrina Católica enquanto tal, mas antes apenas exercitam seu direito a prescindir de certas novidades litúrgicas e pastorais desconhecidas na Igreja antes da década de 1960 e nunca impostas aos fiéis como obrigações comprometedoras da nossa religião. Por exemplo, a proclamação histórica do papa Bento XVI de que a Missa tradicional em latim “nunca foi ab-rogada” e de que “em princípio foi sempre permitida” demonstrou a verdade da reivindicação básica do livro. Mas lá estava você, Tom, nos meses seguintes à publicação de nosso livro, declarando sua dissensão do ensinamento a respeito da fé e da moral claramente enunciado como obrigatório por numerosos papas que ensinaram sobre a justiça no mercado e a reta ordenação do Estado.
E visto que foi o livro mesmo do qual fomos co-autores, juntamente com o seu mandato no The Remnant e no periódico The Latin Mass, que lhe deram proeminência como um tradicionalista em primeiro lugar, você dificilmente poderia esperar que seus ex-colegas permanecessem em silêncio à medida que você continuava sua torrente de pronunciamentos contra o ensinamento papal, incluindo o comentário descarado de que a “tentativa dos papas de elevar princípios como os de ‘salário justo’ ao nível de doutrina obrigatória é algo completamente diferente, e na verdade estácarregada de erros” – não uma afirmação esporádica, mas algo que você repetiu mais tarde em publicação, no seu muito criticado A Igreja e o Mercado (p. 79). Você não reconhece a completa audácia que há em um recém-convertido pretender dar conferências a católicos de berço a respeito dos “erros” dos ensinamentos da Igreja afirmados por papa após papa durante séculos?
Ora, uma coisa, Tom, é você expressar sua opinião – sua errante opinião – de que ao se pronunciarem em matéria de economia e justiça social os papas excederam o que você considera serem os limites de sua competência, ainda que os próprios papas, respondendo a dissidentes como você, tenham insistido em seu direito e dever de se pronunciar precisamente a respeito desses assuntos. Mas é algo completamente diferente alegar, como você o faz, que você está exercitando legítima liberdade na Igreja – não, você não está – e, muito pior, engajar-se numa campanha para persuadir católicos de que aquilo que seu instituto prega – uma forma de liberalismo social e econômico condenada por uma extensa linhagem de papas (cf. a encíclica Ubi Arcano Dei, de Pio XI, n.61) – é “perfeitamente compatível” com o Catolicismo Romano tradicional. Essa propaganda encontrou até mesmo o caminho na direção de um promissor – sob outros aspectos – novo periódico, “O Tradicionalista”, cujo número inaugural incluiu um anúncio de página inteira em homenagem a von Mises, cuja dogmática visão de mundo anti-cristã está evidente nas citações mostradas abaixo.
Num artigo que mencionava as circunstâncias de nossa discussão por causa de sua dissensão da doutrina social e de sua cooperação pós-Grande Fachada com o Southern Poverty Law Center e sua caça às bruxas aos católicos tradicionalistas (incluindo eu mesmo), eu aludi a algumas das opiniões ultrajantes de Rothbard, que defende não apenas o aborto legalizado, a prostituição, o uso de drogas, o suborno e a extorsão, mas também o direito legal de matar de fome crianças não desejadas, em favor do qual ele argumentou num livro que seu Instituto vende para o mundo como um “clássico da liberdade”. E você, Tom, escreveu em louvor ao mesmo livro sem mencionar suas afirmações morais depravadas, declarando apenas que “Rothbard descreve as implicações filosóficas da idéia de propriedade de si mesmo” – uma idéia que está em conflito com o próprio fato de ser o homem uma criatura de Deus. Você também nunca mencionou o repetido elogio de Rothbard ao que o conjunto do trabalho dele aclama como sendo “a subversão da Antiga Ordem... por meio de uma ação libertária em massa que estourou em grandes revoluções do Ocidente tais como a Americana e a Francesa, realizando as glórias da Revolução Industrial e os avanços da liberdade...”
Por essa razão, Tom, eu nunca vi você criticar o ataque de Rothbard ao “integrismo” católico – sim, ele usou exatamente aquela palavra, aquele perfeito insulto aos católicos romanos tradicionais em decorrência do qual você e eu escrevemos A Grande Fachada para atacar. Lembra-se? Naquele artigo em particular, Rothbard imperiosamente depreciou “o ódio da Igreja ao liberalismo em geral, do qual ela deriva seu ataque ao liberalismo econômico...” No mesmo artigo, seu mentor descreveu o marco que foi a encíclica social Quadragesimo anno, de Pio XI, como virulentamente anti-capitalista e, para dizer a verdade, pró-fascista. “Essatendência fascista é revelada pelos rumos do catolicismo europeu no período entre guerras...” Seu mentor chamou o papa Pio XI de fascista, Tom. Mas então, você também amontoou críticas à Quadragesimo – baseando-se em seu estudo informal de economia, um campo no qual você não possui nenhum título ou outra credencial reconhecida. (Na verdade, antes de você ter-se incorporado ao Instituto você ensinou história numa faculdade pública.)
Aqui eu desejo chamar a atenção dos católicos para as concepções igualmente Cristofóbicas e anti-católicas de von Mises, recentemente expostas num debate online em angelqueen.org, num tópico chamado “Desmascarando a Escola Austríaca”. Essas idéias aparecem no livroSocialismo, de von Mises, o qual seu Instituto vende como uma “obra-prima” que apresenta “uma crítica de todo o aparato intelectual que acompanha o pensamento socialista, incluindo as doutrinas religiosas implícitas por trás do pensamento socialista ocidental...”
Nas treze citações abaixo, do capítulo 29 de Socialismo, von Mises ataca Cristo, os Evangelhos e a Igreja como sendo inimigos da liberdade e da sociedade e instigadores do socialismo e da escravidão, chama o Cristianismo de “religião do ódio”, e declara que a Igreja tem de se reformar cingindo-se ao liberalismo e ao capitalismo. Todas as citações aparecem online aqui, que é onde o católico que deu origem ao tópico emangelqueen.org (alguém com o pseudônimo de GordonG) as encontrou.
Tom, uma vez que você rejeitou todos os pedidos privados relativos à sua campanha para fazer avançar o libertarianismo radical dentro da Igreja e particularmente entre os tradicionalistas, nós que uma vez promovemos seu trabalho nos sentimos obrigados a protestar publicamente contra o que você está fazendo e a exigir que você se retifique pela confusão que está causando.
Porque você tem um dever perante Deus – como um membro da Igreja confirmado (se bem que um membro um tanto novo) – de denunciar e repudiar categoricamente as seguintes citações do livro de von Mises, e de romper seus laços com o Instituto que promove sua (e de Rothbard) ideologia da “liberdade” anti-católica, Cristofóbica e, de fato, imoral.
Ademais, é tempo de parar de fingir, como você tem feito por anos, que a controvérsia que suas próprias palavras e ações têm provocado entre os fiéis seja um debate sobre “economia” ou coisas particulares tais como a sabedoria das leis do salário mínimo. Você se associou a uma organização cujas visões a respeito do homem, da sociedade e da liberdade humana são inimigas da lei do Evangelho. Você deve escolher entre o Magistério e o Instituto Ludwig von Mises, e nenhuma quantidade de sofismas pode esconder a realidade daquela escolha.
Como seu ex-colaborador e colega, e como alguém que admira seus talentos e sabe o que eles poderiam trazer para uma defesa da doutrina social da Igreja em lugar de seus aparentes ataques incessantes contra ela, eu espero que você tome esta carta não como uma provocação, mas como um convite a reconsiderar o caminho que você escolheu, a dar a volta e a se reunir aos seus irmãos na fé.
Atenciosamente,
Christopher A. Ferrara
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LUDWIG VON MISES
CONTRA CRISTO, O EVANGELHO E A IGREJA
Do capítulo 29 de Socialismo(http://mises.org/books/socialism/part4_ch29.aspx )
1. A pregação de Jesus de um Reino vindouro destrói todos os laços sociais:
A expectativa da reorganização por parte do próprio Deus quando chegou o tempo, e a transferência exclusiva de toda ação e pensamento para o futuro reino de Deus tornou o ensinamento de Jesus Cristo completamente negativo. Ele rejeita tudo quanto existe, sem oferecer nada para repô-lo. Ele chega a dissolver todos os laços sociais existentes...
2. Jesus é como os bolcheviques:
...Seu zelo pela destruição dos laços sociais não conhece limites. A força motriz por trás da pureza e do poder de tal completa negação é uma inspiração extática e uma esperança entusiástica de um novo mundo. Daí seu ataque apaixonado a tudo quanto existe. Tudo pode ser destruído porque Deus, em Sua onipotência, vai reconstruir a futura ordem. É desnecessário examinar se alguma coisa pode ser reaproveitada na passagem da velha para a nova ordem, porque essa nova ordem erguer-se-á sem auxílio humano. Ela não demanda de seus partidários, portanto, nenhum sistema ético, nenhuma conduta particular em qualquer direção positiva. Fé, e apenas fé, esperança, expectativa – isso é tudo o que é necessário. Ele [o homem] não precisa contribuir em nada para a reconstrução do futuro, Deus Ele mesmo o sustentou. O mais claro paralelo moderno à atitude do cristianismo primitivo de completa negação é o bolchevismo. Os bolcheviques, igualmente, desejam destruir tudo quanto existe porque eles o consideram algo desesperadamente mau. Mas eles têm em mente planos – por mais indefinidos e contraditórios que eles possam ser – para uma futura ordem social. Eles exigem não apenas que seus seguidores devem destruir tudo quanto exista, mas também que eles adotem uma linha de conduta definida, que conduz em direção ao Reino futuro com o qual eles sonharam. O ensinamento de Jesus a esse respeito, por outro lado, é somente negação.
3. Jesus despreza os ricos, incitando o mundo à violência contra eles e suas propriedades; e Seu ensinamento espalhou “semente maligna”:
Naturalmente, uma coisa está clara e nenhuma interpretação habilidosa pode ocultar isso. As palavras de Jesus estão cheias de rancor contra os ricos, e os Apóstolos não são menos brandos a respeito disso. O Homem Rico é condenado porque ele é rico, o Mendigo é louvado porque ele é pobre. A única razão por que Jesus não declara guerra contra os ricos e não aconselha vingança contra eles é que Deus disse: “A vingança é minha”.
No Reino de Deus os pobres serão ricos, mas os ricos estarão envoltos em sofrimento. Revisores tardios tentaram abrandar as palavras de Cristo contra os ricos, das quais a versão mais completa e vigorosa é encontrada no Evangelho de Lucas, mas resta um bocado suficiente para apoiar aqueles que encorajam o mundo a sentir ódio, a se vingar a assassinar e a queimar os ricos. Até a época do Socialismo moderno nenhum movimento contra a propriedade privada que se originou no mundo cristão falhou em buscar autoridade em Cristo, nos Apóstolos, e nos Padres Cristãos, para não mencionar aqueles que, como Tolstoi, fizeram do ressentimento evangélico contra os ricos o próprio coração e alma de seu ensinamento.
Este é um caso no qual as palavras do Redentor espalharam semente maligna. Mais dano tem sido causado e mais sangue tem sido derramado por conta delas do que pela perseguição aos heréticos e queima das bruxas. Elas sempre tornaram a Igreja indefesa contra todos os movimentos que almejam destruir a sociedade humana...
4. A Igreja, e não o liberalismo Iluminista, abriu caminho para o Socialismo:
…Seria estúpido sustentar que o Iluminismo, ao arruinar gradativamente o sentimento religioso das massas, abriu caminho para o Socialismo. Ao contrário, foi a resistência que a Igreja ofereceu à disseminação das ideais liberais que preparou o solo para o rancor destrutivo do pensamento socialista moderno. A Igreja não apenas não fez nada para extinguir o fogo, mas ela até mesmo tocou fogo na brasa...
5. A doutrina cristã destrói a sociedade, proíbe a preocupação com o sustento e o trabalho, prega o ódio à família e até mesmo endossa a castração:
...É por isso que a doutrina cristã, uma vez separada do contexto no qual Cristo a pregou – expectativa do iminente Reino de Deus –, pode ser extremamente destrutiva. Nunca e em lugar algum um sistema de ética social que abraça a cooperação social poderá ser construído a partir de uma doutrina que proíbe qualquer preocupação com o sustento e o trabalho, enquanto expressa um feroz ressentimento em relação aos ricos,prega o ódio à família e defende a castração voluntária.
6 O Evangelho não desempenhou nenhum papel na construção da civilização ocidental:.
As façanhas culturais da Igreja durante seus séculos de desenvolvimento são [fruto] do trabalho da Igreja, e não do cristianismo. É uma questão aberta quanto desse trabalho se deve à civilização herdada do estado romano e quanto se deve ao conceito de amor cristão, completamente transformado sob a influência dos estóicos e de outros filósofos antigos. A ética social de Jesus não tem papel algum neste desenvolvimento cultural. A realização da Igreja, neste caso, foi torná-las inofensivas, mas sempre por um período limitado de tempo...
7. Porque ela se opõe ao liberalismo, a Igreja é uma inimiga da sociedade:
O destino da civilização está em jogo. Porque não é como se a resistência da Igreja às idéias liberais fosse inofensiva. A Igreja é um poder tão poderoso que sua aversão às forças que trazem a sociedade à existência seria suficiente para quebrar em pedaços toda a nossa cultura. Nas últimas décadas nós testemunhamos com horror sua terrível transformação em um inimigo da sociedade. Pois a Igreja, tanto aCatólica quanto a Protestante, não é o menor dos fatores responsáveis pela prevalência de ideais destrutivos no mundo hoje...
8. O liberalismo é superior ao cristianismo e tem restaurado a humanidade por meio da destruição da Igreja, motivo pelo qual a Igreja o odeia:
Historicamente é fácil entender a aversão que a Igreja tem mostrado pela liberdade econômica e pelo liberalismo político sob qualquer forma. O liberalismo é a flor daquele iluminismo racional que desferiu o sopro da morte no regime da antiga Igreja e do qual brotou a crítica histórica moderna. Foi o liberalismo que solapou o poder das classes que por séculos estiveram intimamente ligadas à Igreja. Ele transformou o mundo mais que o cristianismo sempre o fez. Ele devolveu a humanidade ao mundo e à vida. Ele despertou as forças que sacudiram as fundações do tradicionalismo inerte sobre o qual Igreja cria estar repousada. A nova perspectiva provocou na Igreja um enorme mal-estar, e ela ainda não se ajustou até mesmo às camadas mais exteriores da época moderna.
9. O cristianismo se tornou uma religião do ódio, buscando destruir o “admirável novo mundo” do liberalismo:
De fato, os padres em países católicos borrifam água benta sobre estradas de ferro recentemente construídas e em dínamos de novas usinas, mas o cristão confesso ainda estremece intimamente diante dos trabalhos de uma civilização que sua fé não consegue compreender. A Igreja ressentiu-se fortemente da modernidade e do espírito moderno. Que surpresa, então, que ela tenha se aliado àqueles cujo ressentimento levou-os a desejar a dissolução deste admirável novo mundo, e que tenha explorado seu arsenal bem estocado como meio para denunciar o esforço terreno pelo trabalho e pela riqueza. A religião que chama a si mesma religião do amor tornou-se uma religião do ódio, em um mundo que parecia estar preparado para a felicidade. Quaisquer pretendentes a destruidores da ordem social moderna poderiam fiar-se no cristianismo como um líder.
10. Porque eles seguem o Evangelho e porque não foram “vacinados” com a filosofia liberal, sacerdotes e monges são inimigos da sociedade:
Sacerdotes e monges que praticaram a verdadeira caridade cristã, que ministraram e ensinaram em hospitais e em prisões e que sabiam tudo o que havia para saber a respeito da humanidade sofredora e pecadora – esses foram os primeiros a serem enganados pelo novo evangelho da destruição social. Apenas uma firme compreensão da filosofia liberal poderia tê-los vacinado contra o infeccioso ressentimento que se assolou entre os seus protegidos e que foi justificado pelos Evangelhos. Por assim dizer, eles se tornaram perigosos inimigos da sociedade. Do trabalho de caridade brotou o ódio à sociedade.
11. A Igreja e o papado buscam escravizar os homens destituindo-os da razão e da liberdade espiritual do capitalismo:
A Igreja sabe que ela não pode vencer, a menos que possa vedar a fonte da qual seu oponente continua extraindo inspiração. Desde que o racionalismo e a liberdade espiritual do indivíduo sejam mantidos na vida econômica, a Igreja jamais terá êxito em agrilhoar o pensamento e em tomar conta do intelecto na direção desejada. Para fazer isso, primeiro ela teria de obter a supremacia sobre toda atividade humana. Por conseguinte, ela não pode se contentar com o viver como uma Igreja livre em um estado livre [o próprio slogan de Cavour, o grande inimigo maçônico da Igreja e sagrado Pio IX – CAF]; ela deve procurar dominar aquele estado. Ambos o papado de Roma e as igrejas protestantes nacionais lutam pela soberania, já que ela as permitiria ordenar todas as coisas temporais de acordo com seus ideais. A Igreja não pode tolerar outro poder espiritual. Todo poder espiritual independente é uma ameaça a ela, uma ameaça que aumenta em força à medida que a racionalização da vida progride.
12. O cristianismo necessita do socialismo a fim de manter a teocracia contra a ameaça da “produção independente”:
Ora, a produção independente não tolera qualquer autoridade espiritual suprema. Em nosso tempo, o poder sobre a mente só pode ser obtido por meio do controle da produção. Todas as Igrejas já estão indistintamente atentas a isso há tempos, mas para elas isso se tornou claro pela primeira vez quando a idéia socialista, surgindo de uma fonte independente, fez-se sentir como uma força poderosa e rapidamente crescente. Então, tornou-se claro para as Igrejas que a teocracia só é possível numa comunidade socialista.
13. A Igreja deve se transformar cingindo-se antes ao capitalismo do que ao ensinamento papal tal como o de Pio XI:
Se a Igreja de Roma quiser encontrar uma solução para a crise para qual o nacionalismo a levou, então ela deve ser inteiramente transformada. Pode ser que essa transformação e essa reforma a levem à aceitação incondicional da indispensabilidade da propriedade privada dos meios de produção. Até o presente ela está longe disso, como testemunha a recente encíclica Quadragesimo anno.

1] Tradução autorizada pelo The Remnant.