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terça-feira, 28 de março de 2017

O movimento monarquista no Brasil e a maçonaria: Quo Vadis Dom Bertrand?

É claro que a monarquia é bem superior à democracia, sobretudo a de massa. Mas toda "monarquia" que busque seu fundamento abaixo de si, não acima, que se estabeleça por princípios profanos e materialistas, deve ser ridicularizada. Uma família real não faz uma monarquia; princípios superiores fazem uma monarquia. Toda "monarquia" baseada exclusivamente no elemento "humano", que, negligente com o elemento "divino", apele a alianças econômicas e discursos humanistas não passa de um simulacro de monarquia, uma casca vazia, um corpo sem alma, uma marionete de liberais. Ao rebaixar o fundamento da monarquia ao mundo profano dos homens, os "monarquistas" se filiam à estratégia discursiva moderna, a mesma que corroeu todas as monarquias por dentro. Como escreve Joseph de Maistre: "É Deus que faz os reis, literalmente. Ele prepara as estirpes reais; amadurece-as no meio de uma nuvem que encerra as suas origens. Elas depois surgem coroadas de glória e de honra; impõem-se - e é esse o maior sinal da sua legitimidade".


Em  mais uma manifestação da "falsa direita" brasileira, ocorrida em 26/03/2017, ficou evidenciado quais são as forças que estão por trás dela. Há, é verdade, um apelo de participação aos conservadores, embora as manifestações sejam feitas sob os auspícios do MBL, organismo francamente liberal que chega a defender em seu programa político o "Fim da função social da propriedade. A propriedade privada não pode ser relativizada."(https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/mbl-wordpress-s3/wp-content/uploads/2016/05/26222920/propostas-mbl.pdf). 

A convocação de uma direita conservadora às manifestações visa, nada mais que, capturá-la para dentro do projeto liberal, este sim muito mais articulado, organizado, estruturado e com dinheiro de sobra para fazer suas pautas serem colocadas em prática. Ademais, a aliança conservadora - liberal é uma impossibilidade lógica, dado que um conservador, que se caracteriza por prezar costumes morais tradicionais, não poderá endossar, numa possível composição política entre estas duas forças em um regime hipotético de governo futuro, por exemplo, a liberdade econômica de criar uma empresa de filmes eróticos, o que afetaria a preservação de bons costumes dentro da sociedade; por outro lado, um bom liberal não vai defenestrar a empresa de filmes eróticos, pois isso poria em xeque o dogma do livre mercadismo. A pergunta que fica é que critério iria prevalecer nesse caso e em tantos outros: o da liberdade de ação econômica ou o da valorização dos costumes? Mas, apesar dessa impossibilidade lógica de conciliar as duas facções, há um número enorme de imbecis no Brasil que apostam nessa aliança espúria, aliança que só tem trazido avanços para as pautas liberais. 

Durante os protestos pró-impeachment foi o que vimos nas ruas: liberais e conservadores gritando contra Dilma. Ela caiu mas Temer, até aqui, só favoreceu políticas liberais. 

A razão disso nós mesmos já dissemos diversas vezes: só há a possibilidade de extrair ganhos reais com alianças deste tipo, contra inimigos comuns, quando se tem uma estrutura que permita forçar o lado oposto a fornecer vantagens concretas. Um exemplo clássico é o do partido nazista na Alemanha: enquanto ele era apenas um entre vários partidos nacionalistas, Hitler se recusou a fazer alianças. Depois que ele conquistou o monopólio sobre a oposição nacionalista no país e obteve boa votação, nos albores da década de 30, aceitou fazer coalização com os conservadores do General Hindenburg. Em 1933, Hitler consegue ser nomeado primeiro ministro, porque já estava numa posição de força que permitia composição sem ter de deixar de lado os princípios do NSDAP. 

Todavia, a nossa direita conservadora é inculta demais para entender isso. Some-se o fato de ser teleguiada por gurus que advogam liberdades econômicas junto com costumes morais, passando a impressão, para o "gado" que a compõe, de que estas duas realidades podem coexistir. 

No que tange ao assunto em tela, o papel do movimento monarquista é outro dado a ser considerado. Reunido em torno da figura do ilustre Dom Bertrand, que é apresentado por  hostes de fiéis escudeiros como um homem piedoso, que mereceria a alta confiança dos católicos, o movimento monarquista se coloca, por várias razões, como alternativa para o Brasil em crise. 

A primeira razão seria institucional: o poder do Rei daria estabilidade a um país cuja era republicana foi marcada por sobressaltos, golpes, impeachments, afetando a boa ordem necessária para que o país cresça. Os elementos liberais que defendem a monarquia se pautam por essa razão. 

A segunda, defendida por elementos católicos que integram o dito movimento monarquista, seria moral: o rei, que seria ou Dom Luiz, ou Bertrand, teria o poder de influenciar positivamente o povo no sentido do temor a Deus e no da prática da verdadeira religião. 

A questão é se, sobretudo a figura de Bertrand, estaria a altura desta missão de reconduzir o país a ordem e a fé. A dúvida se adensa a medida que vemos o sr. Dom Bertrand associando-se, de modo direto, a lideranças maçônicas e a eventos maçônicos, o que provaria - para dizer o mínimo - a sua falta de compreensão do contexto real das forças políticas que nos ameaçam

Em todas as manifestações do MBL lá esteve o movimento monárquico e a figura de Bertrand. Outro membro do família real presente nelas é sr. Luiz Philippe de Orleans e Bragança, um franco apoiador do liberalismo, como bem sabemos. Alguns aduzem que Philippe não representa o movimento monárquico. Que seja, mas Bertrand, sem dúvida, representa.  

Depois de frequentar eventos promovidos pelo Mises Brasil - órgão que milita pela filosofia econômica de Ludwig Von Mises que, entre outras coisas, sempre defendeu que a Igreja foi um fator de atraso para a civilização ocidental - agora eis que Dom Bertrand aparece num carro de som patrocinado pelo Avança Maçons Brasil: 



Segundo alguns elementos do movimento monárquico bertrandista, a estratégia seria usar a maçonaria como "prostituta", para implantar a monarquia e depois desfazer-se dela:





O ingenuísmo de alguns monarquistas é tamanho que ficamos deveras impressionados com ele, dado que é necessário ser muito irrealista para levar a sério esta pataquada. O mais interessante nisto tudo é que Dom Bertrand se coloca como alguém que admira Plínio Correa de Oliveira, fundador da TFP; mas vejamos o que Oliveira diz sobre a maçonaria:

"As forças propulsoras da Revolução têm sido manipuladas até aqui por agentes sagacíssimos, que delas se têm servido como meios para realizar o processo revolucionário. De modo geral, podem qualificar-se agentes da Revolução todas as seitas, de qualquer natureza, engendradas por ela, desde seu nascedouro até nossos dias, para a difusão do pensamento ou a articulação das tramas revolucionárias. Porém, a seita-mestra, em torno da qual todas se articulam como simples forças auxiliares - por vezes conscientemente, e outras vezes não - é a Maçonaria, segundo claramente decorre dos documentos pontifícios, e especialmente da Encíclica Humanum Genus de Leão XIII, de 20 de abril de 1884 19. O êxito que até aqui têm alcançado esses conspiradores, e particularmente a Maçonaria, devesse não só ao fato de possuírem incontestável capacidade de se articularem e conspirarem, mas também ao seu lúcido conhecimento do que seja a essência profunda da Revolução, e de como utilizar as leis naturais - falamos das da política, da sociologia, da psicologia, da arte, da economia, etc.- para fazer progredir a realização de seus planos. Nesse sentido os agentes do caos e da subversão fazem como o cientista, que em vez de agir por si só, estuda e põe em ação as forças, mil vezes mais poderosas, da natureza" - In:  PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA. REVOLUÇÃO E CONTRA REVOLUÇÃO ( PÁGINA 42).

O texto acima deixa clara a sagacidade da maçonaria em se valer de articulações e do conhecimento da natureza humana para atingir as suas metas revolucionárias. É EXATAMENTE ISTO QUE ESTÁ ACONTECENDO, AGORA, NO SEIO DO MOVIMENTO MONÁRQUICO BRASILEIRO!

Em suma: quem tem estrutura para tirar proveito da situação não é o movimento monárquico que não possuiu nenhuma chance, no momento presente, de instrumentalizar a maçonaria. Aliás, é verdade que muitos maçons querem a monarquia de volta e estão aptos a ajudar Dom Bertrand, mas eles a querem para porem em ação fins liberais-revolucionários. Querem uma monarquia por razões meramente institucionais e não para recatolicizar o Brasil.  

Será que Bertrand é tão pouco sagaz que nada percebe sobre esta trama? Como católicos devemos fazer o juízo mais favorável possível de um semelhante, evitando manchar-lhe a reputação se podemos admitir razões outras para suas ações que não a malícia pura e simples. Nem sempre, porém, é tão fácil fazer isso quando alguém se imiscuiu com tanta frequência com aqueles que são inimigos declarados da Igreja.  

É patente que o movimento monárquico virou, em certa medida, vetor para o filo-liberalismo maçonizante. Basta ligarmos alguns pontos: 

1- Dom Bertrand em reunião do círculo monárquico; a sua direita, Antonyo da Cruz, presidente do  Instituto Brasil Imperial, que é notório e conhecido maçom!




2- Luiz Philippe de Orleans e Bragança em evento do Avança Maçons Brasil:


3- Manifestação do dia 26/03/2017 sob os auspícios da Maçonaria:



Sobre tudo isto resta a pergunta: por que Bertrand permite que um notório maçom seja o presidente de um instituto que pretende falar em nome dos interesses da família imperial? Por quê? Isso tudo é apenas burrice, ingenuidade, ou trata-se de estratégia de usar a maçonaria para os fins bertrandistas de restaurar o Império,se valendo das Lojas? E depois de restaurado o Império? As lojas vão continuar tendo lugar no Brasil ou ele irá fechá-las (que seria o mínimo que um monarca católico precisaria fazer para honrar a fé que professa)? Como ele pretende se livrar da maçonaria depois de ter assumido enormes compromissos com ela e depois de dever à mesma a recuperação do trono? Ou ele não pretende? 

Perguntas que não querem calar. 

No fundo o que parece é que Dom Betrand está mais perdido que cego em tiroteio. Ora participa de um evento patrocinado por MBL - que apoiou a operação carne fraca no Brasil, algo que prejudica diretamente nosso agronegócio - ora protesta contra a operação pois vê nela uma conspiração de ambientalistas como ele mesmo deixou claro em seu blog(http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=1315). Ora se o MBL apoia esta operação ele não faz parte da conspiração globalista contrária a nossos interesses como nação? Então por que fazer coro com manifestações que existem justamente para que a pauta do MBL se imponha no Brasil? 


Afinal: Quo vadis Dom Bertrand? 


Rafael G. Queiroz